Dupla de Brasília se prepara para correr o Rally dos Sertões

A dupla brasiliense formada por Elsinho Cascão e Claudia Grandi se prepara para uma aventura que terá 2.793 quilômetros. Em agosto, eles disputarão o Rally dos Sertões, competição de maior destaque da categoria. A dupla, que compete na categoria UTV, correu o Rally RN 1500 e vai participar de outra prova em maio, na região do Jalapão, antes do Rally dos Sertões, que partirá de Goiânia (GO) em 20 de agosto e chega, seis dias depois, em Bonito (MS).
Depois de ficar na segunda colocação do RN 1500, no Rio Grande do Norte, os dois correrão mais duas provas antes do Rally dos Sertões. A primeira é o Rally Jalapão 500, no Tocantins, em junho. No mês seguinte, é a vez do Rally Rota SC, em Santa Catarina. Na última vez em que a dupla competiu juntos, no Rally dos Sertões de 2014, conquistou a terceira colocação. Elsinho, piloto, e Claudia, navegadora, correram pela primeira em UTV naquele ano.
Elsinho Cascão começou no rali por acaso. Foi em 1999, numa prova da categoria regularidade em Brasília. “Uma corrida bem amadora mesmo. Gostei muito. Em 2000, eu pulei para a categoria intermediária, e já comecei a fazer Campeonato Brasileiro”, relembra o piloto de 57 anos. Em 2001, Elsinho foi campeão brasileiro de raly de regularidade na categoria 4×4.

Migração

Como não existia campeonato mundial de rali regularidade — no qual os carros devem completar a prova o mais próximo possível de um tempo pré-determinado —, Elsinho migrou para o rali de velocidade — quem faz o circuito mais rápido vence. “Comecei a fazer o de velocidade na Mitsubishi Cup, era um negócio mais barato. Ainda em 2001, resolvi fazer o Rally dos Sertões” continua Elsinho.
Também no ano marcado pelo atentado ao World Trade Center, em Nova York, Cláudia começava no mundo das competições automotivas. “Eu e meu marido estávamos passeando numa feira de jipe e gostamos. Comecei como jipeira primeiro. Depois, em 2002, eu comecei a fazer os ralis”, conta.
Claudiney Santos/Divulgação
No caso do UTV, esse carrinho estranho é ideal para terra, areia, lama e até neve. Alguns modelos podem custar até R$ 100 mil, dependendo da configuração. UTV é a sigla de Utility Task Vehicle — na tradução livre, significa Veículo Utilitário Multitarefas. O carro da Kandangus Rally Team, equipe de Elsinho e Claudia, é equipado com um motor de 900 cilindradas, que gera 146 cavalos de potência e pesa 600kg.

Para não ficar à deriva

Muitas pessoas não sabem a importância do navegador numa prova de rally. “Sempre quem aparece mais é o piloto. Mas se o piloto não tiver um navegador, não adianta nada”, explica Claudia. “Eu costumo dizer que o navegador são os olhos do piloto. O piloto entra no carro e não sabe para onde ir”, destaca.
Marcelo Machado/Divulgação
A comunicação entre os dois é importantíssima para fazer uma boa prova. Pilotos e navegadores usam intercomunicadores dentro dos capacetes e recorrem até aos gestos para tomar o rumo certo do circuito. “Ele (navegador) vai trabalhar com o GPS e sempre apontando o carro para direção certa. O piloto não pode ver o GPS”, explica Elsinho.